Eu aprendi a ler muito cedo, bem antes dos coleguinhas da minha idade.
Lembro que, quando certos coleguinhas eram exibidos por seus pais com muito orgulho porque estavam lendo as primeiras palavras, eu já lia revistinhas da Disney inteiras.
E eu não estou falando isso para me gabar, muito pelo contrário, eu estou falando isso para confessar uma fraqueza minha, porque tão logo aprendi a ler… viciei.
Viciei em ler, viciei em estudar e muitas e muitas vezes eu aprendo as coisas e na hora de aplicar eu perco interesse, parto para estudar outra coisa e isto tem limitado muito minhas conquistas na vida, apesar de eu não ter do que reclamar.
Mesmo assim… mesmo tendo muito motivos para comemorar e agradecer a Deus, eu tenho consciência de que poderia ter feito mais se estudasse um pouco menos e aplicasse mais o que aprendo.
Mas teve o lado do bom deste vício.
Viciei em estudar e principalmente viciei em estudar o ser humano, estudar a mente, a consciência, estudar a religiosidade e a espiritualidade.
Lembro que, quando tinha 9 anos, fiquei doente e o médico disse que era rubéola e eu não podia ir à aula.
Tive que ficar 15 dias em casa.
Neste período li o primeiro livro grande da minha vida, foi o primeiro volume de uma versão simplificada da Bíblia chamada Bíblia dos Jovens, que eu havia ganhado da minha mãe.
Eu fiquei muito realizado e orgulhoso do meu feito.
Dali em diante, eu estudei muito, sempre com o foco prioritário no ser humano.
Queria saber como ser uma pessoa melhor e como ajudar as pessoas a viverem melhor e se relacionarem melhor.
A realidade é que esse é um conhecimento fascinante, entretanto infinito.
A todo dia descobrimos mais e nos fica sempre a sensação socrática de que não sabemos nada, o famoso:
“Só sei que nada sei.”
Ainda assim, percebo que a cada dia estou melhor. Imperfeito, com muitas falhas… Mas, persistente.
E com uma sede tremenda de ajudar as pessoas, ajudar quem tem algum desejo ou necessidade que esteja ao meu alcance resolver.
Claro que esse alguém tem que aceitar minha ajuda.
Não se pode ajudar quem não quer ser ajudado.
Essa minha sede de saber, sede de estudar levou-me a sempre ser fascinado pelos meus professores.
Sempre os reverenciei, sempre tive quase uma idolatria pelos meus mestres.
Tanto que fiquei muito feliz quando descobri por acaso que minha mãe já tinha sido professora, pois na minha infância ela trabalhava em outra atividade.
Meu amor e minha admiração por minhas professoras e meus professores é tão grande que até hoje chamo todos de “PROFESSOR ou PROFESSORA” mesmo (e principalmente) as dos meus primeiros anos de escola.